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1 de abr de 2025 às 13:13
Preocupados com a “espiral perigosa” em que o mundo está afundando, os membros da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE) exortam a União Europeia a mostrar liderança, agindo como uma “força unida, confiável e integradora para seus vizinhos e para o mundo”.
“O aumento da tensão global, alimentado pelo crescente isolamento e pelo aprofundamento das divisões, está corroendo o multilateralismo e enfraquecendo os princípios democráticos. Essa combinação está dando origem a uma competição implacável e confrontos violentos, muitas vezes em flagrante violação do direito internacional”, disse a COMECE em comunicado depois da Assembleia de Primavera em Nemi, Itália, em 26 e 27 de março.
Sobre a defesa europeia, os membros da COMECE reconhecem a necessidade de uma Europa forte, “capaz de proteger seus cidadãos e valores”, ao mesmo tempo em que sublinham sua vocação original de projeto de paz.
“Qualquer investimento necessário, proporcional e adequado na defesa europeia não deve ser feito às custas dos esforços destinados a promover a dignidade humana, a justiça, o desenvolvimento humano integral e o cuidado da criação”, diz o comunicado.
A COMECE reconhece igualmente a necessidade de a União Europeia reforçar a sua posição na economia mundial “sem pôr em causa o seu compromisso histórico de solidariedade, especialmente com as regiões mais vulneráveis do mundo, com as que sofrem de pobreza ou com as que buscam refúgio”.
Diálogo, “o único caminho viável”
Em 26 de março, o secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, falou à Assembleia dos Bispos da União Europeia, destacando as crises que a Europa enfrenta e advertindo sobre as políticas nacionalistas.
O cardeal Parolin exortou os líderes políticos a “deixar de lado as divisões e barreiras ideológicas” em favor do diálogo. Destacou também a responsabilidade da Europa, enraizada na sua tradição cristã, de promover a paz e a solidariedade.
“O diálogo continua sendo o único caminho viável”, disse o cardeal, enfatizando o papel da Igreja na reconciliação.
O cardeal Parolin pediu políticas migratórias e disse que “a preocupação com o bem-estar da Europa não nos isenta de pensar no bem do mundo”. Ele também elogiou o papel da COMECE no diálogo com as instituições da União Europeia e pediu o apoio contínuo das conferências episcopais.
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Na quinta-feira (27), os bispos foram recebidos no Vaticano pelo secretário para as Relações com os Estados da Santa Sé, dom Paul Richard Gallagher,. Juntos, discutiram as crescentes tensões globais, “agravadas pela erosão do multilateralismo, e pelas recentes mudanças nas relações transatlânticas”. Também abordaram as guerras na Ucrânia e na Terra Santa, assim como o futuro da integração europeia.
Na sexta-feira (28), a Assembleia recebeu o secretário geral da Conferência Episcopal Italiana (CEI), dom Giuseppe Baturi, e ex-primeiro-ministro da Itália e ex-comissário europeu para a Economia, Paolo Gentiloni.
Enquanto dom Baturi apresentou a história da CEI e suas iniciativas mais recentes, particularmente sobre questões relacionadas ao Mediterrâneo, à juventude e à Europa, o presidente Gentiloni analisou questões como a defesa europeia, os desafios econômicos do continente e a necessidade de um “despertar europeu”.
Mensagem ao papa Francisco
A Assembleia da COMECE também enviou uma mensagem de solidariedade e devoção filial ao papa neste difícil momento de doença.
“Rezamos fervorosamente por ti, por sua saúde e por sua completa recuperação, para que, sob sua orientação, a Igreja na Europa e no mundo possa viver o Jubileu com esperança, entusiasmo, alegria e fé, e ser revitalizada por ele”, diz a mensagem.
O Jubileu e os momentos de oração
As sessões da Assembleia Plenária da COMECE se alternaram com vários momentos de oração. Em particular, por ocasião do Jubileu, os bispos fizeram também uma peregrinação a Roma, passando pela porta santa da basílica de São Pedro.
A assembleia da COMECE também acolheu a Igreja Latina da Ucrânia e a Igreja Greco-Católica Ucraniana como membros observadores.