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Mianmar. Cardeal Bo: a oração do Papa por nós é como o bálsamo da consolação

“Depois de sua visita a Mianmar em 2017, o Papa Francisco parece ter se apaixonado por nosso povo. Ele sempre acompanhou a crise em Mianmar e rezou várias vezes por nosso país. Em um gesto muito comovente, após sua recente doença, seu primeiro ato foi lembrar-se de Mianmar e enviar seus melhores votos e sua oração, que é para nós o bálsamo da consolação”: diz o arcebispo, que nos fala como a nação do sudeste asiático está trabalhando para superar as consequências do recente devastador terremoto

Vatican News

“O terremoto exacerbou as lágrimas e as feridas do nosso povo. Milhares de pessoas não têm comida. Milhares não têm água potável. O medo as faz dormir nas ruas, sob o sol escaldante e nas noites de calor impiedoso. As pessoas estão em um estado de prostração física e psicológica”, disse à agência missionária Fides o cardeal Charles Maung Bo, arcebispo de Yangun e presidente da Conferência Episcopal de Mianmar, enquanto na nação do sudeste asiático se continua a trabalhar para superar as consequências do terrível terremoto que em 28 de março afetou o centro-norte do país.

O maior terremoto do século

“Há uma necessidade urgente de alimentos, água, abrigo e medicamentos para milhares de feridos”, relata. E há também necessidades morais e espirituais: “As pessoas que estão sofrendo precisam sentir o calor de outros seres humanos que compartilham a dor, o pranto e se preocupam com elas. Estamos em uma nação traumatizada e novamente ferida que não quer se entregar ao desespero e está tentando reagir”.

“A parte central de Mianmar – relatou o arcebispo de Yangun – está completamente devastada. Quase 20% da nossa população está nas ruas, ainda assustada e traumatizada com o que os geólogos estão chamando de o maior terremoto do século. Mais de 3.000 pessoas já morreram e o balanço está aumentando constantemente. Muitas outras estão presas sob os escombros enquanto os corpos continuam a ser extraídos. É terrível, as lágrimas continuam sem parar”.

Maior desafio é reconstruir a comunidade cristã

A comunidade católica birmanesa, cerca de 700 mil almas em um país de 51 milhões de habitantes com maioria budista, vive com o resto da população em luto pelas centenas de famílias afetadas e pelos registros de igrejas, institutos, seminários, estruturas pastorais desmoronadas ou danificadas. “Muitas igrejas e casas religiosas foram destruídas, sobretudo na Diocese de Mandalay”, observa o cardeal Bo, “já devastada pela guerra, muitos edifícios terão que ser demolidos e reconstruídos. Mas o maior desafio, mais do que a construção de novos prédios de tijolos, é reconstruir a comunidade cristã com as ‘pedras vivas’ do povo de Deus. Isso exigirá uma longa jornada e um trabalho paciente, com a ajuda do Espírito Santo, aquele que cria a Igreja”.

Nessa situação, o cardeal Bo elogia o trabalho dos “padres, religiosos e catequistas que suportaram o peso de várias formas de violência nos últimos quatro anos”: “Muitos deles – relata o purpurado -, estão deslocados. Temos quatro bispos deslocados (nas dioceses de Banmaw, Loikaw, Pekhon, Lashio), fora de suas catedrais ou residências episcopais por causa do conflito. Nossa Igreja está em pleno êxodo, enfrentando enormes desafios com coragem e confiança em Deus. Fico feliz em ver e poder dizer que os presbíteros, consagrados e agentes pastorais são acompanhadores fiéis de nosso povo em um tempo de grande provação. Eles se dedicam a servir o próximo e são dispensadores de misericórdia e esperança”.

As pessoas sentem o apoio do Papa Francisco

A esperança de Mianmar hoje é, em primeiro luagr, o fim da violência que está ensanguentando o país: “Fomos os primeiros a pedir um cessar-fogo, ainda mais urgente agora para permitir a ajuda humanitária”, lembra o cardeal. “Até então, o pedido não foi atendido. Agora é a hora de silenciar as armas, pegar os suprimentos de alimentos, suprimentos médicos e ir até as pessoas e tratá-las. Gostaria de lembrar que, após o ciclone Nargis em 2008, o país tomou o caminho da democracia. E desta vez, também, o terremoto abrirá o caminho para mostrar a todos que a paz é o nosso destino comum, é o único caminho que devemos seguir de todo o coração e com todas as nossas forças, no interesse de todos”.

Nesse esforço, as pessoas sentem o apoio do Papa Francisco: “Depois de sua visita a Mianmar em 2017 – conclui o arcebispo de Yangun -, o Papa Francisco parece ter se apaixonado por nosso povo. Ele sempre acompanhou a crise em Mianmar e rezou várias vezes por nosso país. Em um gesto muito comovente, após sua recente doença, seu primeiro ato foi lembrar-se de Mianmar e enviar seus melhores votos e sua oração, que é para nós o bálsamo da consolação”.

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