Vaticano: Ecumenismo é um instrumento de paz para um mundo ferido, afirma Cardeal Koch

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23/jan/2026

Durante a Semana de Oração pela Unidade, o Prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos destaca o diálogo como caminho profético para a reconciliação global.

Em meio às celebrações da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2026, uma voz influente do Vaticano ressoou com um apelo à paz. O Cardeal Kurt Koch, Prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, afirmou que o diálogo ecumênico não é apenas uma questão teológica, mas um poderoso “instrumento de paz para o mundo”, oferecendo um caminho profético para uma humanidade marcada por divisões.

Oração e Conversão: O Coração do Ecumenismo

A Semana de Oração, celebrada anualmente de 18 a 25 de janeiro no hemisfério norte, constitui um momento privilegiado para que os batizados de diferentes tradições intensifiquem suas preces pela plena comunhão. Este movimento espiritual responde diretamente ao desejo de Jesus, expresso na Última Ceia: “para que todos sejam um” (Jo 17,21). O Cardeal suíço recordou que a divisão entre os seguidores de Cristo representa um verdadeiro escândalo, que enfraquece o testemunho do Evangelho. Por isso, o caminho para a unidade é, fundamentalmente, uma jornada de conversão interior, escuta fraterna e abertura à ação do Espírito Santo.

Um “Ecumenismo do Encontro”

O Cardeal Koch destacou as diretrizes do pontificado do Papa Leão XIV, iniciado em maio de 2025, que tem promovido um “ecumenismo do encontro”. Segundo o Prefeito, o Santo Padre enfatiza que a unidade não se constrói apenas em debates teológicos, mas, sobretudo, no testemunho compartilhado da caridade. “O que nos une como cristãos já é imensamente maior do que aquilo que nos separa”, explicou o cardeal. Ele ressaltou que, ao servir juntos os mais necessitados, ao defender a vida e a dignidade humana ou ao rezar uns pelos outros, os cristãos já vivem uma unidade concreta, edificando pontes de fraternidade.

Reconciliação e Herança Histórica

Abordando o diálogo com as comunidades eclesiais herdeiras da Reforma do século XVI, o Cardeal Koch sublinhou o poder de uma memória purificada para curar as feridas da história. Ele ponderou que a dolorosa cisão, que em muitos períodos foi fonte de conflitos e violência, pode ser transformada. “O percurso ecumênico demonstra que é possível transitar do conflito para a comunhão”, afirmou. Para o Prefeito, este é um sinal de esperança para um mundo fragmentado por novas polarizações. O reconhecimento dos dons que o Espírito Santo concedeu a cada tradição cristã permite um enriquecimento mútuo e oferece um modelo de reconciliação na diversidade.

Rumo ao Jubileu de 2030: Um Testemunho Comum

Com o olhar voltado para o grande Jubileu de 2030, que celebrará os 2000 anos da Ressurreição de Cristo, o Cardeal expressou o anseio por um testemunho de unidade cada vez mais visível. “O Jubileu é um chamado universal à reconciliação”, disse ele. Seria um gesto profético de imenso valor se os cristãos de diferentes confissões pudessem celebrar juntos a fé comum no Cristo Ressuscitado. Tal testemunho ofereceria ao mundo um sinal concreto da esperança e da paz que emanam do Evangelho. O caminho até 2030, concluiu, deve ser marcado por gestos de perdão e colaboração, para que o mundo creia.

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