
Liturgia diária – Evangelho e palavra do dia 01 janeiro 2026
Evangelho e palavra do dia 01 janeiro 2026 Liturgia Diária – Evangelho e palavra do dia 1 de janeiro de 2026. Primeira leitura Leitura do
Nas noites de Roma e da região de Abruzzo, na Itália, um cenário de exploração se desenrola. Mulheres, muitas delas vítimas de violência e falsas promessas, são forçadas à prostituição. Em meio a essa escuridão, surge uma figura de esperança: uma freira, vestida com seu hábito, que oferece uma rota de fuga.
“Há dez anos, senti um chamado dentro do meu chamado”, relata a Irmã Carla Venditti, das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus. “Senti que Deus me chamava para algo belo. Eu precisava ir para as ruas, pois Ele me esperava ali, nos rostos dos mais pequeninos”.
Residente em Avezzano, Irmã Carla tornou-se conhecida como a “freira anti-tráfico”. Sua missão é ir ao encontro de mulheres e jovens que são exploradas, oferecendo-lhes não apenas ajuda imediata, mas um caminho para reconstruir suas vidas, com o apoio de suas coirmãs e de voluntários.
O trabalho de resgate é um processo delicado, que exige paciência e dedicação. A Irmã Lucia Soccio, que colabora com a Irmã Carla há uma década, descreve a profundidade da missão. “Levar luz, amor e esperança a lugares onde é difícil falar sobre essas coisas é uma missão profunda que nos transforma por dentro”, afirma.
Juntas, elas e outros voluntários oferecem um porto seguro para as mulheres que decidem deixar as ruas. O hábito religioso ajuda a criar uma primeira conexão, mas a confiança é construída ao longo de muitos encontros. Escapar do tráfico humano é um desafio imenso, pois os exploradores utilizam manipulação, ameaças e chantagem, chegando a confiscar documentos e passaportes das vítimas.
As mulheres que aceitam o convite para uma nova vida são acolhidas no abrigo “Oasi Madre Clelia” (Oásis Mãe Clélia), em Abruzzo. “O convite para mudar de vida surge somente após muitos encontros, onde se estabelece uma amizade e confiança”, explica a Irmã Lucia.
No oásis, as religiosas se dedicam a cuidar das vítimas em seu dia a dia, oferecendo um ambiente de cura e reabilitação. “Optamos por ser uma família para as pessoas que nos procuram, e isso torna tudo mais exigente. Começamos de novo com o amor — esta é a força motriz da nossa missão”, destaca a Irmã Carla.
A motivação da Irmã Carla é profundamente espiritual. “O que me impulsiona é a consciência de que o ser humano precisa sentir a misericórdia de Deus em sua vida através da nossa humanidade e sensibilidade e, acima de tudo, da necessidade de não ser julgado”, reflete.
Sua rotina é intensa: à noite, ela percorre as ruas; durante o dia, auxilia na reintegração das mulheres acolhidas. Além disso, encontra tempo para vender itens artesanais em feiras para ajudar a financiar a obra. Para sustentar a missão, foi criada a associação “Amigos do Oásis Mãe Clélia”, que recebe doações.
Com o passar dos anos, o trabalho se expandiu. “Hoje acolhemos quem quer que deseje ser acolhido e acompanhado: desde jovens abusadas a pessoas trans e pobres”, conta a Irmã Carla.
A mensagem final da religiosa para quem sofre é de pura esperança: “Deus não abandona seus filhos. É preciso ter a força e a coragem de confiar e saber que o céu nem sempre está nublado, mas que o sol brilha para todos. A vida é maravilhosa e devemos abraçar as novas possibilidades que Deus nos dá”. Para ela, a maior recompensa é testemunhar a transformação nos rostos e na vida das mulheres que ajuda: “do desespero à serenidade”.

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