Dom Mário Spaki: A Força da Oração e a Regra de Ouro para a Quaresma 2026

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28/fev/2026

Em plena primeira semana da Quaresma de 2026, a Igreja Católica brasileira é convidada a uma profunda reflexão sobre a oração e a caridade fraterna, pilares essenciais para a jornada espiritual deste tempo litúrgico. No dia 26 de fevereiro, o Bispo de Paranavaí, Dom Mário Spaki, ofereceu uma meditação inspiradora sobre o Evangelho de Mateus 7,7-12, um texto que ressoa com particular força nos corações dos fiéis.

Quaresma 2026: Um Apelo à Conversão e Oração Intensa

A Quaresma, que teve início na Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro, é vivida como um período privilegiado de conversão e renovação interior. A primeira semana quaresmal serve como um convite vigoroso ao aprofundamento da vida espiritual, à penitência e, acima de tudo, a uma oração mais sincera e persistente. Neste contexto de recolhimento e busca por Deus, a Palavra de Mateus 7,7-12 se apresenta como um guia seguro para os fiéis em seu caminho para a Páscoa.

Desde sua eleição em maio de 2025, o Papa Leão XIV tem sublinhado em suas catequeses a importância de uma Quaresma autêntica, centrada no encontro pessoal com Cristo e na prática da misericórdia. Suas mensagens ecoam a constante pregação da Igreja de que a fé, para ser viva, precisa manifestar-se em obras, e que a oração deve vir de um coração disposto à caridade. O Evangelho de Mateus, portanto, funciona como um poderoso lembrete de como integrar a oração em nossas vidas e, a partir dela, agir com amor em relação ao nosso próximo.

“Pedi, Buscai, Batei!”: A Confiança na Oração Persistente

Dom Mário Spaki, com sua sabedoria pastoral, certamente destacou a primeira parte do Evangelho: “Pedi e vos será dado! Buscai e encontrareis! Batei e vos será aberto! Pois todo aquele que pede, recebe; quem busca, encontra; e a quem bate, a porta será aberta.” Esta passagem não deve ser interpretada como uma fórmula mágica para a realização de desejos, mas sim como um convite à confiança inabalável na providência divina e na paternidade de Deus.

O Bispo de Paranavaí enfatiza que a oração cristã é, acima de tudo, um diálogo de amor, e não um monólogo de exigências. Ao pedirmos, não estamos informando a Deus sobre nossas necessidades – Ele as conhece profundamente – mas sim abrindo nosso coração para receber Sua graça e, o que é crucial, para nos conformarmos à Sua santa vontade. A persistência no “pedir”, “buscar” e “bater” revela uma fé amadurecida que reconhece a soberania divina. Não se trata de uma oração que tenta manipular o Criador, mas de uma oração que nos transforma, moldando nossos desejos aos desígnios de Deus.

A Igreja, através dos séculos e de seus santos, sempre ensinou que a verdadeira oração nos aproxima de Deus, nos ajuda a discernir Sua vontade e nos prepara para aceitá-la, mesmo que seja diferente do que inicialmente esperávamos. A insistência é um sinal de humildade e de reconhecimento de nossa dependência de Deus, um testemunho de que depositamos Nele toda a nossa esperança e que a fé é um relacionamento de amor e confiança mútua.

A Bondade Incomparável de Deus Pai

O Evangelho prossegue com uma comparação paterna que busca dissipar qualquer dúvida sobre a bondade divina: “Ou quem de vós, se o filho lhe pedir um pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará coisas boas aos que lhas pedirem!” Esta analogia é profundamente reconfortante.

Se até os pais humanos, com suas imperfeições, são capazes de amar e cuidar de seus filhos, oferecendo-lhes o que é bom, quanto mais Deus, que é o Amor perfeito e a Bondade infinita, não cuidará de nós? Dom Mário, em sua reflexão, guiou os fiéis a compreender que as “coisas boas” que o Pai nos dá são, antes de tudo, as graças necessárias para nossa salvação e santificação. No contexto do Evangelho de Lucas, a promessa é explicitamente do Espírito Santo, o dom supremo, a própria presença de Deus em nós.

Em Mateus, o termo “coisas boas” abrange tudo o que contribui para o nosso verdadeiro bem, que muitas vezes transcende o material e o imediato, alcançando o espiritual e o eterno. É uma garantia de que, ao nos voltarmos para Deus, Ele nos acolhe com uma paternidade que excede em muito qualquer amor terreno, e Suas respostas serão sempre para o nosso maior bem, mesmo que não as compreendamos de imediato. A fidelidade ao Magistério, como o Papa Leão XIV tem continuamente destacado, é crucial para discernir as verdadeiras “boas dádivas” de Deus, evitando interpretações subjetivas que desvirtuam a genuína teologia da oração e da Providência Divina.

A Regra de Ouro: O Resumo da Lei e dos Profetas

O ápice da mensagem de Mateus 7,7-12, e o ponto que Dom Spaki certamente realçou como essencial para a vivência cristã, é a “Regra de Ouro”: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles; pois esta é a Lei e os Profetas.” Este versículo é a síntese de toda a Lei Mosaica e dos ensinamentos proféticos, exortando-nos a uma prática ativa da caridade, um amor concreto ao próximo que espelha o amor de Deus por nós. Não é apenas uma abstenção do mal, mas uma proatividade em fazer o bem, tratando o outro com a mesma dignidade e respeito que esperamos para nós mesmos.

Para o Bispo de Paranavaí, a Quaresma é o tempo propício para viver intensamente esta Regra de Ouro. O jejum, a esmola e a oração, pilares quaresmais, encontram sua plena expressão na prática dessa caridade recíproca. O jejum, por exemplo, não é um fim em si mesmo, mas um meio para nos sensibilizar às necessidades dos outros e para fortalecer nossa vontade de servir. A esmola não é apenas dar o supérfluo, mas partilhar generosamente, movidos por um amor que se identifica com o Cristo sofredor no rosto do irmão e que se alegra na solidariedade.

A oração, como já vimos, deve nos impulsionar a ações concretas de amor, pois uma fé que não se manifesta em obras é uma fé incompleta. A Regra de Ouro, portanto, não é apenas um preceito moral, mas um caminho de santidade e de evangelização. Ao vivenciá-la, os cristãos testemunham ao mundo a beleza do Evangelho e a capacidade transformadora do amor de Cristo. É o verdadeiro termômetro de nossa fé e o cumprimento da vocação de sermos sal da terra e luz do mundo, construindo o Reino de Deus já aqui, entre nós.

Vivendo a Quaresma com Fé e Caridade

A meditação de Dom Mário Spaki sobre Mateus 7,7-12 é um farol para a jornada quaresmal de 2026. Ela nos recorda que a oração eficaz nasce da fé e da confiança na paternidade divina, e que essa oração nos leva inevitavelmente à ação caritativa, concretizada na Regra de Ouro. A vivência autêntica da fé católica, como ensina o Magistério e como o Papa Leão XIV tem incessantemente destacado, exige a coerência entre a palavra e a vida, entre a fé professada e a fé praticada. É um convite a sermos cristãos completos, que rezam e agem, que buscam a Deus e servem ao próximo.

Que este tempo de Quaresma seja uma oportunidade renovada para cada um de nós aprofundar nossa vida de oração, exercitar a persistência na busca de Deus e, acima de tudo, praticar a caridade fraterna, tornando-nos instrumentos vivos do amor de Deus no mundo. Que a exortação de Cristo: “Peça, Busque, Bata!” e a sabedoria da Regra de Ouro nos guiem e inspirem, e assim veremos a porta da graça e da transformação se abrir para nós e para o mundo ao nosso redor.

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