Em mensagem de Natal, Cardeal de Mianmar faz apelo urgente pelo fim da guerra

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07/jan/2026

Um clamor pela paz em meio ao som das armas

Em um país devastado pela guerra civil, a mensagem de Natal do Cardeal Charles Maung Bo, Arcebispo de Yangon, ressoou como um apelo profético pela paz e pela reconciliação. Divulgada nos últimos dias de dezembro de 2025, a sua declaração pede o silêncio das armas e a primazia do diálogo, refletindo o profundo sofrimento de uma nação mergulhada na violência desde o golpe militar de 2021.

Representando a Conferência Episcopal Católica de Mianmar, o cardeal dirigiu-se não apenas aos fiéis, mas a todas as partes envolvidas no conflito, insistindo que a violência é um caminho sem saída. "A lógica das armas nunca trouxe a paz duradoura a nenhuma nação", afirmou, sublinhando a urgência de abandonar a espiral de destruição que já forçou o deslocamento de mais de dois milhões de pessoas.

A luz de Belém sobre uma terra ferida

A mensagem do Cardeal Bo está profundamente enraizada na fé cristã, traçando um paralelo entre o nascimento de Jesus em condições de vulnerabilidade e a situação atual do povo birmanês. O "Príncipe da Paz", recordou, nasceu não em um palácio, mas em uma manjedoura, em uma terra sob ocupação. Essa imagem serve como um poderoso lembrete de que Deus se faz presente justamente nas situações de maior desamparo e escuridão.

É a partir dessa perspectiva teológica que o apelo por um cessar-fogo ganha força. O cardeal pediu que o tempo de Natal fosse uma oportunidade para criar corredores humanitários seguros, permitindo que a ajuda essencial chegue a crianças, idosos e famílias que enfrentam a fome e a doença, sem qualquer distinção de etnia ou credo religioso.

O alto custo humano da guerra civil

O cenário que motiva o apelo do líder católico é dramático. Desde a tomada de poder pelos militares em fevereiro de 2021, Mianmar vive um conflito sangrento que opõe a junta militar a uma ampla gama de forças de resistência. A população civil tem sido a principal vítima, sofrendo com bombardeios indiscriminados, prisões arbitrárias e uma crise humanitária de proporções alarmantes.

A comunidade cristã, embora minoritária, também tem sofrido diretamente as consequências da guerra. Igrejas, conventos e outras instituições religiosas foram deliberadamente atacados e destruídos, e muitos líderes religiosos e leigos foram forçados a fugir. Mesmo diante da perseguição, a Igreja local permanece na linha de frente, oferecendo refúgio e assistência aos deslocados, tornando-se um símbolo de resiliência e caridade.

Ao concluir sua mensagem, o Cardeal Bo convocou todos os cidadãos e a comunidade internacional a se unirem em oração pela paz. Suas palavras ecoam as preocupações do Papa Leão XIV, que frequentemente chama a atenção do mundo para as "periferias esquecidas". "Que o Menino Jesus, o Príncipe da Paz, toque os corações endurecidos e traga o dom da reconciliação ao nosso amado país", finalizou o cardeal, expressando o anseio de todo um povo por um futuro livre do ódio e da violência.

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