
Liturgia diária – Evangelho e palavra do dia 04 janeiro 2026
Evangelho e palavra do dia 04 janeiro 2026 Liturgia Diária – Evangelho e palavra do dia 03 de janeiro de 2026. Primeira Leitura Leitura do
No início de 2026, um forte apelo ecoa por toda a América Latina: a urgente necessidade de resgatar a política como instrumento fundamental para a construção da paz e da justiça social. Diante de um cenário continental marcado por profundos contrastes, vozes da Igreja reafirmam que o engajamento na vida pública, quando orientado pelo serviço ao próximo, representa a mais alta expressão da caridade cristã.
A realidade latino-americana se apresenta como um mosaico complexo. Por um lado, persistem graves desafios estruturais, como a instabilidade política em diversas nações, a desigualdade econômica que aprofunda o abismo social, as dramáticas crises migratórias e a violência que aflige inúmeras comunidades. Estas são as cruzes que pesam sobre os ombros de milhões de pessoas, gerando, por vezes, um clima de desconfiança e desesperança.
Por outro lado, em meio a estas adversidades, a fé do povo se revela como uma fonte inesgotável de resiliência e solidariedade. É essa fé que sustenta a esperança por um futuro mais digno e que inspira incontáveis iniciativas de caridade. É neste solo fértil que o chamado à participação política ganha um significado profético, convidando os cidadãos a serem protagonistas na transformação de suas realidades.
A mensagem que se fortalece neste novo ano é a de que não há atalhos para a superação dos problemas sociais. O caminho passa, necessariamente, pela política. No entanto, trata-se de resgatar seu sentido mais nobre, distante das disputas mesquinhas pelo poder. Como recorda o Magistério da Igreja, a política é a “mais alta forma de caridade”, pois se dedica a organizar a sociedade em função do bem comum.
Inspirados pela Encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, os fiéis são convidados a sonhar e a construir uma “amizade social que integre a todos”. Esta visão não é uma utopia distante, mas um objetivo concreto a ser perseguido através do diálogo, da busca por consensos e da criação de políticas públicas que protejam os mais vulneráveis. Trata-se de um chamado a edificar pontes onde hoje existem muros de indiferença e preconceito.
Para os católicos, a participação na vida cívica não é uma opção, mas uma consequência da fé. A Doutrina Social da Igreja oferece os princípios que devem nortear esta ação. Valores como a dignidade inalienável da pessoa humana, a solidariedade, a subsidiariedade e o cuidado com a Casa Comum formam uma bússola segura para o discernimento e a prática política.
Portanto, o desafio para 2026 é traduzir estes princípios em ações concretas. Isso significa promover o diálogo em todos os níveis da sociedade, combater a desinformação que semeia o ódio, participar ativamente da vida comunitária e apoiar lideranças comprometidas com a ética e a justiça. A América Latina, continente da esperança, tem a vocação de mostrar ao mundo que é possível construir uma sociedade mais fraterna, onde a política está verdadeiramente a serviço da vida e da dignidade de cada pessoa.

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