Na Missa de Natal, Papa Leão XIV pede: ‘Onde não há lugar para o homem, não há lugar para Deus’

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14/jan/2026

Na solene celebração no Vaticano, Pontífice destaca que o acolhimento ao próximo é a condição para acolher a Deus

Durante a tradicional Missa da Noite de Natal, celebrada na Basílica de São Pedro na noite de 24 de dezembro, o Papa Leão XIV proferiu uma homilia com uma mensagem central e contundente: o nascimento de Cristo ilumina as trevas do mundo, mas essa luz só pode ser acolhida onde há espaço para a pessoa humana.

Diante de uma basílica lotada, com cerca de 6 mil fiéis, e outros 5 mil acompanhando por telões na Praça de São Pedro, o Pontífice enfatizou que o mistério do Natal revela a profunda conexão entre Deus e a humanidade. Recordando as palavras de seu predecessor, o Papa Bento XVI, em uma homilia de 2012, Leão XIV afirmou: “Enquanto a noite do erro obscurecer esta verdade providencial, então ‘não haverá lugar para os outros, para as crianças, para os pobres, para os estrangeiros’”.

O Papa reforçou que esta reflexão permanece urgente e necessária. “Na terra, não há lugar para Deus se não houver lugar para a pessoa humana”, declarou, sublinhando que o acolhimento a Deus passa, invariavelmente, pelo acolhimento ao irmão.

Um gesto de proximidade antes da Missa

Antes do início da celebração, em um gesto inesperado, o Papa Leão XIV saiu da basílica para saudar e abençoar os milhares de peregrinos que estavam na praça chuvosa. “A Basílica de São Pedro é muito grande, mas infelizmente não é grande o suficiente para receber a todos vocês”, disse o Papa, agradecendo a presença e o esforço de todos em estarem ali.

A celebração litúrgica teve início com o tradicional canto da Kalenda, a Proclamação do Nascimento de Cristo. Logo após, o Pontífice desvelou uma imagem do Menino Jesus colocada diante do altar principal, enquanto um grupo de dez crianças de diferentes partes do mundo, vestidas com trajes típicos, depositava flores aos pés da manjedoura.

Em sua homilia, o Santo Padre refletiu sobre a busca da humanidade por respostas nas estrelas e no cosmos ao longo dos séculos, uma busca que muitas vezes a deixou na escuridão. “Nesta noite, porém, ‘o povo que andava nas trevas viu uma grande luz’”, disse, citando o profeta Isaías. “Nasceu na noite Aquele que nos redime da noite. O sinal da aurora já não deve ser procurado nos confins do cosmos, mas inclinando-se, na manjedoura próxima.”

Citando Santo Agostinho, o Papa Leão XIV lembrou que “o orgulho humano te pesava tanto que só a humildade divina poderia te levantar novamente”. Ele contrastou a lógica do mundo com a de Deus: “Enquanto uma economia distorcida nos leva a tratar os seres humanos como mera mercadoria, Deus se faz como nós, revelando a dignidade infinita de cada pessoa. Enquanto a humanidade busca se tornar ‘deus’ para dominar os outros, Deus escolhe se tornar homem para nos libertar de toda forma de escravidão”.

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