Bispos católicos abordam a Inteligência Artificial e a singularidade da alma humana

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06/jun/2025

Bispos católicos de regiões nos Estados Unidos emitiram uma carta pastoral recentemente, refletindo sobre o rápido crescimento da inteligência artificial (IA) e como a Igreja deve responder aos desafios e oportunidades que essa tecnologia apresenta à sociedade contemporânea.

O documento, intitulado 'O Rosto de Cristo na Era Digital', convida os cristãos a discernir como aplicar e viver o Evangelho em meio às novas dinâmicas criadas pela inteligência artificial. Publicada antes da Solenidade de Pentecostes, a carta sugere que os fiéis não devem temer os avanços tecnológicos, reconhecendo que o Espírito de Deus atua através da história, cultura e criatividade humana.

Entretanto, os bispos levantam uma questão crucial: seremos formados pela tecnologia ou a moldaremos segundo os princípios do Evangelho? Eles afirmam que a Igreja deve ser uma voz profética, insistindo que a pessoa humana, criada à imagem divina, permaneça central nesse processo de transformação digital.

Um ponto enfático da carta é a declaração de que, independentemente da sofisticação alcançada pelas máquinas, elas jamais poderão replicar a alma, a consciência ou o destino eterno que são exclusivos de cada ser humano.

A carta também pondera sobre os potenciais benefícios da IA em áreas como saúde, educação e evangelização, ao mesmo tempo que adverte sobre os riscos, incluindo o impacto no mercado de trabalho, o desenvolvimento de armamentos autônomos letais e a manipulação da verdade. Para enfrentar a crescente dificuldade em distinguir o real do fabricado digitalmente, os prelados destacam a urgência de cultivar virtudes e formar consciências capazes de discernir.

É essencial, segundo eles, que os jovens sejam capacitados a não serem manipulados por algoritmos, mas guiados pela verdade e pela graça, pois, embora ferramentas digitais possam informar, elas não possuem a capacidade de moldar o coração.

A carta conclama paróquias e famílias a fundamentar a interação digital e a literacia mediática na fé, na Escritura e na vida sacramental, incentivando o cultivo da empatia genuína e de relacionamentos humanos autênticos.

Considerações externas reforçam a complexidade do tema. Especialistas indicam que, apesar de a carta episcopal identificar perigos óbvios e usos positivos da IA, pode haver riscos ainda não totalmente compreendidos. Documentos do Vaticano também abordam a relação entre IA e inteligência humana, reconhecendo a inteligência como dom divino e a IA como imitação dessa capacidade, levantando a possibilidade, embora incerta, de uma 'superinteligência' artificial.

Traçando paralelos com outras mudanças tecnológicas históricas, os bispos incentivam os católicos a encarar a IA com esperança e coragem, invocando o Espírito Santo para renovar a face da terra.

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