Este artigo é o do site Aci Digital
Para ler o artigo original clique aqui!
4 de abr de 2025 às 16:11
Na Quaresma, são essenciais “a penitência unida à busca sincera de Deus, a escuta atenta e a acolhida da Palavra de Deus, a recordação dos mandamentos, dos fundamentos da fé e da moral cristãs, o incentivo à caridade concreta e a exortação à confissão sacramental”, disse o arcebispo de São Paulo (SP), dom Odilo cardeal Scherer, em artigo publicado por Vatican News, site oficial de notícias da Santa Sé., sobre aqueles que reduzem a quaresma à Campanha da Fraternidade.
Para dom Odilo, há mal entendidos sobre a Campanha da Fraternidade que elvam a uma divisão entre os que a rejeitam e os os que a transformam no único foco da Quaresma. “Nem uma coisa, nem outra é boa”, disse.
“A Campanha da Fraternidade não deveria ser vista como uma atividade paralela à Quaresma, nem, muito menos, como iniciativa substitutiva da Quaresma, mas nela inserida”, disse.
“A fé cristã é adesão pessoal a Deus e a moral é a expressão da vida decorrente da fé”, escreveu o cardeal.
Na Quaresma, a Igreja convida “à penitência para uma sincera e profunda conversão a Deus”.
“Para isso, ela indica os exercícios quaresmais do jejum, da oração e da esmola”, continuou ele, “que deveriam ajudar-nos a fazer uma profunda avaliação de nossa vida, predispondo-nos à busca do perdão de Deus e à renovação dos compromissos batismais na celebração da Páscoa”.
“Na noite da Páscoa, como conclusão dos exercícios quaresmais, é feita a renovação das promessas batismais, pelas quais reafirmamos nossa ‘renúncia a Satanás’ e nossa adesão a Deus, mediante a profissão da fé católica. Que significado teria isso, se não fosse precedido de um sério esforço de revisão de vida, em todos os sentidos, do arrependimento dos pecados e da disposição de nos voltarmos para Deus de todo coração?”, disse o cardeal aos que reduzem a Quaresma à Campanha da Fraternidade.
Receba as principais de ACI Digital por WhatsApp e Telegram
Está cada vez mais difícil ver notícias católicas nas redes sociais. Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove desde 1964 a Campanha da Fraternidade no Tempo da Quaresma. Segundo o cardeal “o objetivo fundamental dela é promover a fraternidade (caridade) em alguma questão da convivência social. Ela sempre propõe um tema que faz refletir sobre a vivência da fraternidade, a justiça e a caridade, valores essenciais no Evangelho de Cristo”.
O tema deste ano é “Fraternidade e Ecologia Integral”. “Se o tema pode não parecer explicitamente religioso (ecologia integral, segurança pública, saneamento básico), ele, no entanto, é encarado na Campanha a partir de suas implicações religiosas e morais”, disse o cardeal dirigindo-se aos críticos da campanha.
“Alguém duvida que a temática da ecologia integral está relacionada com a nossa fé no Deus Criador, com nossa responsabilidade humana no cuidado da obra do Criador e com o senso de respeito ao próximo, de justiça e fraternidade?”, perguntou ele.
Segundo o cardeal “a fé cristã é adesão pessoal a Deus e a moral é a expressão da vida decorrente da fé”, mas “não podem ser vividas de maneira abstrata e desencarnada, fora da realidade que nos cerca”.
“Os verdadeiros Santos deram-nos o exemplo: sua fé profunda em Deus e a moral do Evangelho que viviam levaram-nos sempre a uma sensibilidade especial em relação aos sofrimentos do próximo e aos problemas sociais”, disse.
“A Igreja foi enviada em missão ao mundo não apenas para “salvar almas”, mas para salvar pessoas, que têm corpos e vivem situações específicas, para se envolver com seus sofrimentos e necessidades e para anunciar o Evangelho da salvação, que inclui o cuidado das pessoas neste mundo e tem implicações na convivência social. Foi o que o próprio Jesus fez o tempo todo”, concluiu.