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5 de abr de 2025 às 06:00
A capela Nossa Senhora Aparecida, em Campo Grande (MS), onde aconteceu o milagre da beatificação de Carlo Acutis, vai receber uma nova relíquia do futuro santo, a camisa azul que ele aparece vestindo em várias fotos. A relíquia será enviada pela mãe de Carlo, Antonia Salzano.
A chegada da nova relíquia vai marcar “o início desses dias de festa”, em que a capela vai comemorar a canonização de Carlo, disse o pároco de São Sebastião, paróquia a que pertence a capela, padre Marcelo Tenório. Segundo ele, os preparativos e a expectativa “estão a todo vapor”.
Carlo Acutis será canonizado no dia 27 de abril, no Jubileu dos Adolescentes, no Vaticano.
A programação para a canonização na capela do milagre em Campo Grande vai começar com a missa e chegada da camisa no dia 21, às 19h, e entre os dias 22 e 26 haverá sempre uma programação noturna, a partir das 18h30, com missas, orações, adoração, momento mariano. No dia 27, os fiéis vão acompanhar, na capela, a transmissão ao vivo da canonização no Vaticano e depois seguirão em procissão até a igreja matriz, onde será celebrada uma missa em ação de graças às 10h.
A camisa azul não é a primeira relíquia de Carlo recebida pela capela. A primeira delas foi um pedaço de outra camisa do jovem italiano, entregue por Antonia Salzano ao padre Marcelo Tenório, com a qual aconteceu o milagre da beatificação.
Como tudo começou
O padre Marcelo contou à ACI Digital que conheceu Carlo Acutis “no segundo semestre de 2011”, por meio de um artigo em italiano que recebeu de um “afilhado de Recife”. Na época, ele se interessou pela história daquele jovem e entrou em contato com a mãe dele, Antonia Salzano.
“O Carlo não era conhecido nem em Assis, onde estava enterrado, nem em Milão, onde viveu, nem na Itália… Havia fama de santidade, grupos que conheciam, mas eram pessoas espalhadas, nada forte. Não tinha novena, não tinha oração pronta, não tinha nada”, disse, ao ressaltar que a Associação Carlo Acutis já existia, mas era basicamente mantida pela família.
Depois desse primeiro contato, padre Marcelo Tenório se aproximou da família e começou um trabalho de divulgação, inicialmente com uma página no Facebook. “Fundamos o que chamamos de Apostolado Brasileiro e mandávamos gratuitamente material para o Brasil inteiro”, disse. Segundo o padre, “no Brasil, como somos diferentes, em dois minutos a devoção já estava espalhada. E daí sim, do Brasil, a devoção cresceu muito, depois chegou com força à Itália e ao resto do mundo”.
Todos os anos, padre Marcelo ia a Assis e se encontrava com a família Acutis. Em certa ocasião, Antonia o levou à casa onde Carlo ficava e que ainda tinha os objetos dele. “Eu fui lá com dona Antonia e ela me deu um pedacinho de uma camisa que ele tinha ali. Ela cortou na hora, com a tesourinha”, recordou. O padre colocou o pedaço da camisa em um relicário, “mas não podia mostrar para ninguém, porque o Carlo, segundo as normas, não era ainda venerável”, disse.
De volta ao Brasil, começou “a dar a bênção com a relíquia no dia 12 de outubro”, dia de Nossa Senhora Aparecida e data em que Carlo Acutis morreu de leucemia, em 2006, aos 15 anos.
O milagre aconteceu na capela Nossa Senhora Aparecida, no bairro Jardim Marabá. Segundo o padre Marcelo, uma capela “simples”, onde são celebradas missas no rito novo (aos domingos, às 8h30 e às 18h) e também no rito antigo (de terça a sexta-feira, às 11h, e aos domingos, às 16h). “O milagre aconteceu [na missa] no rito antigo”, disse. “Muito interessante, as coisas de Deus. O milagre aconteceu, ninguém soube, não houve nenhum estrondo, foi tão tranquilo”, acrescentou
Foi no dia 12 de outubro 2013. Matheus Vianna tinha três anos à época e sofria de pâncreas anular, anomalia grave que não permitia que ele se alimentasse normalmente e fazia com que tivesse vômitos constantes. Ele participou da missa. “Quando fui dar a bênção com a relíquia, o avô disse para ele: ‘peça para parar de vomitar’. E ele pediu”. Ao chegar em casa à noite, o menino conseguiu comer normalmente e não teve mais vômitos.
“Em fevereiro de 2014, eles fizeram os exames e o órgão estava perfeito, intacto, como se nunca tivesse tido nada”, contou o padre. O caso foi documentado e enviado à Santa Sé.
“Anos depois que esse possível milagre estava lá, que a equipe médica do Vaticano quis pegar o caso para análise”. A Santa Sé pediu que fosse constituído um tribunal em Campo Grande para averiguação do possível milagre e o padre Marcelo foi nomeado vice-postulador.
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Em fevereiro de 2020, o papa Francisco aprovou a publicação do decreto reconhecendo o milagre atribuído à intercessão de Carlo Acutis, que foi beatificado em 10 de outubro daquele ano.
O padre Marcelo disse que não esperava que o milagre da beatificação aconteceria em sua paróquia, mas “tinha certeza de que aconteceria no Brasil, pois foi aqui que pipocou tudo”, a começar pela relação entre Carlo e Nossa Senhora Aparecida. “O Carlo morre no dia 12 de outubro, o processo dele em Milão foi aberto no dia 12 de outubro, o milagre aconteceu no dia 12 de outubro, a festa litúrgica dele é dia 12 de outubro, então, a relação do Carlo com Nossa Senhora Aparecida é um mistério”, disse o padre, que chegou a levar uma imagem fac-símile de Nossa Senhora Aparecida e entregá-la ao pai de Carlo, Andrea Acutis. “Disse a ele: ‘deixa no quaro do Carlo, para Nossa Senhora nos dar o milagre do Brasil, porque nós merecemos, pois foi no Brasil que começou tudo’. E o milagre veio”.
Segundo o padre Marcelo Tenório, embora o caso de Matheus Vianna tenha sido reconhecido como o milagre da beatificação, muitos outros casos aconteceram no Brasil. “Todo possível milagre a gente mandava para a Itália. E eram muitos, muitos, muitos. 99,9% de todos eram daqui do Brasil”, disse. Inclusive para a canonização, “quase que saía mais um milagre daqui de Campo Grande”, disse, ao contar o caso de uma menina que teve “um problema sério ósseo na bacia” e, pela intercessão de Carlo, “o osso se regenerou”. “Mandamos o material para o Vaticano, que chegou a pedir novos exames e, quando o Vaticano pede novos exames é porque está analisando”.
O milagre reconhecido para a canonização de Carlo Acutis foi a cura de Valeria Valverde, de 21 anos, da Costa Rica, que estava perto da morte depois de ferir gravemente a cabeça em um acidente de bicicleta em 2022. A mãe fez uma peregrinação a Assis e no túmulo do beato Carlo Acutis pediu a sua intercessão pela cura da sua filha.
Outras relíquias
Atualmente, a relíquia do milagre da beatificação não está mais na capela Nossa Senhora Aparecida. “Eu dei para um sacerdote que queria muito uma relíquia do Carlo”, disse padre Marcelo. Mas, a capela tem uma relíquia de um fragmento do coração e fios de cabelo de Carlo Acutis. “E temos as autênticas, que são os documentos. Porque você recebe a relíquia e o documento autenticando”, ressaltou o sacerdote.
O padre Marcelo destacou que há três graus de relíquias: as de primeiro grau que são partes do corpo do santo, como o fragmento do coração de Carlo; as de segundo grau, que pertenceram ao santo e tiveram contato direto com seu corpo, como a camisa que será recebida no dia 21; e as de terceiro grau, que são objetos que foram encostados no corpo do santo ou no túmulo dele.
Em Campo Grande, o Apostolado Brasileiro Carlo Acutis faz relíquias de terceiro grau do futuro santo. “Eu fui com dona Antonia, levamos um grande pano de linho e tocamos no túmulo do Carlo, dali fazemos as relíquias de terceiro grau. Uma vez por mês os jovens ‘carlanis’, que são jovens casados, se reúnem para produzir essas relíquias”, disse o padre Marcelo. O apostolado envia para todo o Brasil “material totalmente gratuito” sobre Carlo, incluindo as relíquias.
Capela do milagre recebe devotos de todo o país
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Atualmente, a capela do milagre em Campo Grande recebe devotos de Carlo Acutis de vários locais. “Olha, do Brasil inteiro”, disse o padre Marcelo, destacando que já recebeu “pessoas que vieram dirigindo de Belo Horizonte, do Rio de Janeiro, do Acre…”.
E a devoção é cultivada na capela. Toda quinta-feira, às 16h, acontece a novena perpétua com Carlo Acutis, com bênção e distribuição de pétalas de rosas. “A gente trazia muitas pétalas de rosas do túmulo do Carlo e, de cem pétalas, 90 não murchavam”, contou o padre.
Segundo ele, há relatos de pessoas que colocaram a pétala dentro de um livro e, quando foram olhar, “ela orvalhou e o livro ficou machado de vermelho”. “Tem gente que tem pétalas ainda hoje. Mais de dez anos, a pétala é como se nunca tivesse sido retirada a rosa”, disse.
Hoje em dia, as pétalas distribuídas na novena são adquiridas em uma floricultura e abençoadas. “Essas apodrecem normalmente como toda pétala. Mas, as que eu trazia da Itália, não”, disse o padre.