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3 de abr de 2025 às 16:29
“Fazemos o lobby do bem” disse a advogada e presidente do Instituto Isabel, Andréa Hoffman, no II Congresso Internacional Vida e Família, que reuniu ativistas, eclesiásticos e políticos a favor da vida e da família no último fim de semana em São Paulo (SP).
“Nosso trabalho é defender os temas ligados à liberdade de expressão e religiosa, à vida e à família. Procuramos entender como funcionam esses trâmites e assessorar políticos e magistrados, de forma profissional e técnica, para que possam tomar boas decisões, com base no que a sociedade efetivamente quer”, explicou Hoffman à ACI Digital. “Defendemos a vida desde o seu início até a morte natural. Hoje o tema da eutanásia está muito em voga, especialmente na América Latina e o Brasil tem falado pouco sobre isso”.
O evento contou com palestrantes do Brasil e do Exterior, que expuseram os principais desafios e perspectivas sobre a proteção da vida, desde a concepção à morte natural, bem como questões relacionadas à família tradicional.
O Congresso foi organizado pela Rede Colaborativa Brasil, associação apartidária e supra religiosa, voltada para o apoio a mulheres vítimas de violência e gravidez inesperada, que pensam em desistir da vida dos seus próprios filhos. De acordo com a presidente da Rede, Zezé Luz, a entidade já salvou mais de 2000 vidas que seriam abortadas e percorre o Brasil formando lideranças para esse fim.
O arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, foi enfático. Ele acredita que mesmo sendo um confronto semelhante ao de Davi contra Golias, considerando o poder político e econômico por trás do aborto, o trabalho dos grupos provida é fundamental. “Se apenas uma vida for salva, já terá valido a pena”, disse.
O congresso deixou claro que o avanço das pautas como relativização do conceito de família, legalização irrestrita do aborto e a imposição da agenda woke, que abarca o feminismo radical e a pauta LGBT, ocorrem em nível global.
O americano Bradley Mattes, presidente da Federação Internacional do Direito à Vida, disse que o presidente Donald Trump tem sido grande defensor das pautas conservadoras: “Ele fez mais pela agenda provida e pró-família nesses dez dias de governo do que fez nos quatro anos do seu primeiro mandato”, opina.
Trump se cercou de assessores favoráveis à vida e à família. Com esse suporte, está dissolvendo a USAID (Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional), um dos canais de financiamento de aborto e da agenda woke em outros países.
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O Senador Eduardo Girão, do Partido NOVO, disse no Congresso que impedir a legalização do aborto é a “causa das causas”, pois o primeiro direito do cidadão brasileiro é o direito de nascer. “A diferença entre um feto e nós e apenas o tempo de vida”.
Para pressionar o poder público, os cidadãos têm a internet como grande aliada. Plataformas como a CItizenGo, (www.citizengo.org/pt-br) organizam abaixo-assinados em nível global sobre temas provida e pró-família. “Com milhares de assinaturas, obtivemos várias vitórias, como, por exemplo, na Comissão da Condição da Mulher, da ONU e o apoio dado para a revogação do direito ao aborto no EUA”, disse a responsável por campanhas na mídia da CitizenGO, Daniela Garcia.
Presente em 25 países, a CitizenGo está atualmente com a campanha brasilsemaborto.com , para pressionar o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente a revogar uma resolução que cria um caminho para que menores de idade possam abortar sem o conhecimento ou autorização dos pais.
América Latina
Padre Leonardo Di Carlo, assessor do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), percebe que a região vive um dilema, já que a maioria dos países têm leis que permitem a interrupção voluntária da gravidez. Por outro lado, na América Central, como no Brasil, essas leis não foram aprovadas. Para ele, ambas as situações devem estimular o anúncio do valor da vida humana de forma ativa e propositiva. “Nos países onde não há leis pró-aborto incentivamos os legisladores a não ceder às pressões e, onde há leis permissivas, precisamos dar apoio a pais e mães para que, antes de apressar uma decisão de abortar, cogitem dar a chance de que mais uma criança possa nascer”.
O sacerdote preside o Projeto Esperança, apoiado pela Pastoral da Vida do CELAM. Presente na maioria dos países da América Latina, a iniciativa busca dar suporte pastoral a pais, mães e profissionais de saúde que buscam o arrependimento e a misericórdia de Deus, após fazerem ou contribuírem com esse crime.
O bispo auxiliar do Rio de Janeiro, dom Tiago Stanislaw, acredita que diante de um cenário tão complexo, o mais importante de um congresso como esse é lembrar que quando se trata da vida, se deve falar do amor. O prelado defende o acolhimento e o diálogo com quem pensa diferente, sem permear esse debate com luta e ódio.
Esse amor deve ser doado não só ao bebê, mas também à mulher com gravidez inesperada. Dom Tiago está à frente do projeto “Adoção Espiritual”, movimento que quer oferecer a experiência da maternidade e da paternidade espiritual. “Sabemos que nesse exato instante uma criança não planejada, não desejada, está sendo concebida. Ao saber da sua existência os pais vão se assustar e talvez cogitar o aborto como solução de um problema. Através da Adoção Espiritual, qualquer pessoa pode assumir o compromisso de rezar durante nove meses por aquela criança e pelos pais”.