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4 de abr de 2025 às 16:05
O bispo auxiliar de Toledo, Espanha, dom Francisco César García Magán, disse hoje (4) que a Cruz do Vale dos Caídos permanecerá de pé, apesar da “ressignificação” do local acertada com a Santa Sé.
O santuário foi erguido em homenagem aos mortos pelos republicanos na Guerra Civil Espanhol (1936-1939).
Na entrevista coletiva no fim da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), García, porta-voz da CEE, disse também que a intenção inicial anunciada pelo governo espanhol incluía “a profanação da basílica e a saída dos beneditinos”, o que foi transmitido ao secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, na visita que o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, fez ao papa Francisco em 11 de outubro do ano passado.
A ideia de “destruir a cruz que preside o complexo monumental”, a maior do mundo, estava sobre a mesa, “embora não fosse estritamente uma proposta do Governo”, disse o bispo-auxiliar.
Numa segunda reunião feita em fevereiro entre o governo da Espanha e a Santa Sé, com Félix Bolaños, ministro da Presidência da Espanha, vários limites estabelecidos pela CEE teriam sido acertados: manter o culto católico na pontifícia basílica da Santa Cruz, garantir a presença da comunidade beneditina e respeitar “os elementos religiosos que ficam fora da Basílica”, como a cruz.
O acordo, destacou dom García Magán, deve ser formalmente concretizado “num acordo que ainda não foi finalizado”, apesar de que o governo já iniciou os trâmites burocráticos para levar adiante seu projeto.
O porta-voz disse também que a CEE não sabe o prazo para sua conclusão ou o que o “redesenho” do resto do local vai causar.
Linhas básicas da “ressignificação” do Vale dos Caídos
O Ministério da Habitação da Espanha emitiu uma ordem para implementar um acordo “entre o Ministério da Habitação e Agenda Urbana, o Ministério da Política Territorial e Memória Democrática e a Fundação Santa Cruz do Vale dos Caídos” para reconfigurar o local.
Esse departamento ministerial falou à ACI Prensa sobre alguns detalhes do concurso internacional de ideias para o projeto de redefinição, que, segundo o departamento, “tem o aval da Santa Sé”. Prova disso seria a inclusão de um representante da Igreja no júri do concurso.
Segundo o departamento governamental, o projeto de reformulação “oferecerá uma perspectiva nova, crítica e informada sobre a história do nosso país”, que transformará o espaço “num lugar para uso educacional, cultural e democrático”.
O projeto prevê a construção de um “centro de interpretação ou museu” na esplanada que leva à basílica papal, e iniciativas desse novo espaço “para o interior da basílica” que, a seu ver, “completarão o processo de redefinição de sua identidade com uma narrativa inclusiva, respeitosa e alinhada aos valores democráticos”.
O processo de seleção do projeto levará seis meses, e o processo de licitação das obras deve ocorrer antes do fim do ano que vem. O governo da Espanha planeja gastar € 26 milhões (cerca de R$ 166 milhões) nessa operação.
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Apoio “total e unânime” ao cardeal Cobo
Dom García Magán disse também disse que o assunto foi discutido na sessão plenária.
“Os bispos foram informados e, claro, houve endosso total e unânime, sem uma única voz discordante”, sobre o trabalho feito até agora pelo arcebispo de Madri, dom José cardeal Cobo, o mediador designado.
O porta-voz da CEE disse também confirmou que foram feitas discussões entre a Conferência Episcopal Espanhola; o ex-núncio apostólico na Espanha, dom Bernardito Auza; a comunidade beneditina que vive no Vale dos Caídos e o cardeal Cobo, para abordar essa questão.
Bispos são instados a defender o “caráter inviolável” do templo
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Como a ACI Prensa já noticiou, várias manifestações de magnitude variada ocorreram nos últimos dias, depois do vazamento das negociações entre a Santa Sé e o governo espanhol, coincidindo com a assembleia plenária da CEE.
A última delas ocorreu ontem (3) às portas da CEE, organizada pela Associação para a Defesa do Vale dos Caídos (ADVC). Nela, os bispos membros da CEE foram instados a “não permanecerem em silêncio ou cúmplices diante das exigências do governo”.
A ADVC disse também que, como templo, a basílica tem um “caráter inviolável”, conforme os acordos assinados pela Santa Sé e pela Espanha em 1979.
“O que se propõe ali é uma profanação e, portanto, a única coisa que se pode fazer é exercer a autoridade que lhes foi conferida para defender a integridade do Vale dos Caídos, como um lugar sagrado, como um lugar de paz e reconciliação entre todos os espanhóis”, diz o comunicado.
A ADVC diz que “qualquer ação governamental dentro da basílica — obras de construção, exumações, inspeções, eventos etc. — requer a autorização ou pelo menos o consentimento da autoridade eclesiástica competente, geralmente o abade ou o ordinário local, segundo os termos do Direito Canônico”.
O porta-voz da CEE, referindo-se aos vários protestos que ocorreram nos últimos dias, disse respeitar o direito de manifestação e que eles contaram com a presença de “um grupo muito diverso” de pessoas com diferentes “afiliações eclesiásticas e extraeclesiásticas”.
Assim, ele falou sobre aqueles que falavam com os bispos, aqueles que rezavam, ou aqueles que iam “para gritar, para insultar”, mesmo com uma “atitude um pouco violenta” e praticando “calúnias e difamações”.