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26 de fev de 2025 às 13:45
Numa capela silenciosa no Hospital Gemelli, em Roma, um médico com seu jaleco branco se ajoelha diante do Santíssimo Sacramento. Um paciente numa cadeira de rodas inclina a cabeça em oração silenciosa. Perto dali, um grupo de freiras seguram as contas de seus terços enquanto olham para o altar.
Isso acontece na capela João Paulo II, do Hospital Gemelli, onde uma hora santa diária de adoração eucarística está sendo feita no andar abaixo de onde o papa Francisco, de 88 anos, está recebendo tratamento contra pneumonia e insuficiência renal em estágio inicial — na internação mais longa de seu pontificado.
A hora santa no hospital é uma das muitas iniciativas de oração que surgiram na Cidade Eterna enquanto o papa permanece em estado crítico e a comunidade católica global continua a fazer orações fervorosas por ele.
Todas as noites, às 21h (17h no horário de Brasília), sem se deixar abater por uma semana de chuva, centenas de fiéis se reúnem na praça de São Pedro, no Vaticano, para rezar o terço pelo papa .
As vigílias do terço são conduzidas por cardeais proeminentes, como o secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin , e o pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização da Santa Sé, cardeal Luis Antonio Tagle. Mais de duas dezenas dos cardeais residentes em Roma, entre os quais o prefeito emérito do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, cardeal Raymond Burke, e o prefeito emérito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Gerhard Ludwig Müller, ocupam as primeiras fileiras na praça de São Pedro, com as cabeças inclinadas em oração unificada.
O prefeito do Dicastério para o Clero da Santa Sé, cardeal Lazarus You Heung-sik, falou à CNA, agência em inglês da EWTN, depois da primeira vigília na praça de São Pedro.
“Espero que o papa se cure”, disse o cardeal, enfatizando a importância de seguir o exemplo do papa Francisco nesse período, vivendo a Palavra com alegria, amando os outros e abrindo os corações aos marginalizados e aos pobres.
“Uma vez eu disse ao Santo Padre: ‘Estou pronto para dar minha vida por ti, pela Igreja’. Repito isso”, respondeu o cardeal sul-coreano sobre qual era sua mensagem para o papa neste tempo.
Na basílica de Santa Maria Maior — basílica onde Francisco disse que espera ser enterrado — todas as missas estão sendo oferecidas pelo papa, disse o diretor de comunicações da basílica à CNA, incluindo as missas celebradas na capela da imagem de Nossa Senhora Salus Populi Romani, a favorita de Francisco, que reza na capela antes e depois de cada viagem internacional.
O Hospital Gemelli, principal hospital de ensino de Roma e a segunda maior unidade médica da Itália, tem uma conexão com o papado há muito tempo. O décimo andar, onde Francisco está sob cuidados médicos, tem uma suíte designada para emergências médicas papais por décadas.
A capela do hospital leva o nome e contém uma relíquia de outro papa que conhecia os corredores do hospital: são João Paulo II. O papa polonês foi internado no hospital várias vezes, como depois de uma tentativa de assassinato em 1981.
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O hospital é um lugar onde a vida se move num ritmo implacável — cirurgias sendo feitas, bebês chorando em maternidades, ambulâncias chegando com pacientes para o pronto-socorro. No entanto, em meio a tudo isso que está acontecendo, na capela do hospital João Paulo II há um silêncio pacífico enquanto as pessoas se unem em oração comunitária e palavras de esperança diante da presença real de Jesus.
O capelão do Hospital Gemelli, padre Nunzio Corrao, abriu ontem (25) a hora de adoração do meio-dia com uma oração.
“Queremos continuar rezando pelo papa Francisco para que o curso terapêutico que ele está fazendo seja eficaz”, disse o capelão.
“Pedimos também a graça de que, seguindo o exemplo do papa Francisco, também possamos estar prontos a responder ao chamado do Senhor para sermos testemunhas confiáveis do Evangelho”, disse o padre.
Um farmacologista que trabalhou no Hospital Gemelli por 37 anos estava entre os que compareceram à hora santa. Ele disse ser uma honra e um privilégio servir a Deus e ao povo de Deus no mesmo hospital que tratou João Paulo II e o papa Francisco.
Do lado de fora do hospital, sob uma estátua de João Paulo II segurando a cruz — agora coberta com velas, flores e bilhetes escritos à mão desejando a Francisco uma rápida recuperação — fiéis têm se reunido com frequência para rezar o terço.
O ministro geral da Ordem dos Frades Menores, frei Massimo Fusarelli, celebrou ontem (25) a missa na capela do hospital depois da hora santa.
“Que estejamos em paz e rezemos pelo nosso querido papa Francisco para que ele possa voltar em breve à sua missão, revigorado em espírito e corpo segundo a vontade de Deus”, disse Fusarelli em sua homilia.
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O superior franciscano, também ele paciente no Gemelli depois de passar por uma cirurgia, falou sobre o sofrimento e a doença a partir de uma perspectiva cristã. Inspirado pelas leituras bíblicas do dia, ele comparou as provações da vida ao fogo que purifica o ouro e a prata, removendo as impurezas.
“Provas, sofrimentos e doenças revelam quem realmente somos. Aqui neste hospital, muitos de vocês, incluindo médicos e equipe médica, vivem essa verdade todos os dias”, disse Fusarelli.
“Pedimos ao Senhor que continue a ouvir a nossa oração, para que a voz do papa Francisco não se apague, mas seja forte e alta; precisamos especialmente dele como uma bússola num momento sombrio como o que estamos vivendo”, disse o franciscano.