
Quaresma 2026: Papa Leão XIV Propõe Jejum Digital para Redescobrir a Voz de Deus
Neste primeiro domingo da Quaresma de 2026, a Praça de São Pedro foi palco de um apelo profundo e contemporâneo do Papa Leão XIV. Durante
Neste primeiro domingo da Quaresma de 2026, a Praça de São Pedro foi palco de um apelo profundo e contemporâneo do Papa Leão XIV. Durante a oração do Angelus, o Sumo Pontífice dirigiu-se aos fiéis com um convite que transcende as formas tradicionais de penitência, propondo um jejum inovador: não apenas de alimentos, mas de ruídos e distrações digitais. A exortação visa uma redescoberta do valor do silêncio e da escuta interior, essenciais para um encontro mais íntimo com o divino.
A Quaresma, período litúrgico de quarenta dias de preparação para a Páscoa, é um convite anual da Igreja à conversão através da oração, do jejum e da caridade. É um tempo de introspecção profunda, no qual somos chamados a examinar nossas vidas à luz do Evangelho e a renovar nosso compromisso com Cristo. O Papa Leão XIV, com sua visão pastoral aguçada, convida-nos a considerar uma dimensão do jejum muitas vezes negligenciada em nossa sociedade hiperconectada: a abstenção do barulho e da agitação digital que permeia incessantemente nosso cotidiano.
Com palavras diretas e incisivas, o Papa Leão XIV tocou em um ponto nevrálgico da vida moderna: "Silenciemos um pouco as televisões, os rádios, os smartphones." Vivemos em um mundo saturado de informações, entretenimento e notificações constantes. Desde o amanhecer até o anoitecer, somos bombardeados por estímulos sonoros e visuais provenientes de inúmeros dispositivos. Essa cacofonia digital, muitas vezes imperceptível em sua intensidade e onipresença, impede-nos de realizar uma ação fundamental para a vida espiritual: a verdadeira escuta.
A escuta a que o Papa se refere não é meramente a audição física, mas uma escuta mais profunda, do coração. É a capacidade de aquietar o exterior – e também o interior, serenando a mente – para ouvir a voz que ecoa na alma, a voz da consciência iluminada pelo Espírito Santo, a voz de Deus. Como podemos discernir a "voz mansa e suave" (1 Reis 19,12) do Senhor, que fala na quietude, se nossos ouvidos e mentes estão continuamente ocupados com o clamor do mundo, as notícias, as redes sociais, as músicas e os vídeos que nos chegam sem cessar?
A tecnologia, embora seja uma ferramenta poderosa para a evangelização e a comunicação, pode facilmente transformar-se em um obstáculo quando seu uso não é temperado pela virtude. O Papa Leão XIV alerta para o perigo de uma superestimulação que conduz à superficialidade, à ansiedade e a uma crescente incapacidade de contemplar e de permanecer em silêncio. Ao silenciarmos esses aparelhos, abrimos um espaço, um “vazio” que, longe de ser ausência, representa uma potencialidade para a Presença divina.
O gesto de "silenciar" os dispositivos não é um fim em si mesmo, mas um meio para alcançar uma finalidade espiritual superior: a intimidade com Deus. A tradição cristã, desde os Padres do Deserto até os grandes místicos de todas as épocas, sempre valorizou o silêncio e a solidão como condições indispensáveis para o encontro com o Criador. Jesus Cristo, nosso modelo, frequentemente se retirava para lugares desertos para orar e estar a sós com o Pai (cf. Lc 5,16).
Eles buscavam o deserto para se afastar das distrações do mundo e focar-se inteiramente na oração e na contemplação. Hoje, o "deserto" pode ser recriado em nossos próprios lares, em nossos momentos de recolhimento, através de uma disciplina consciente no uso da tecnologia. Este jejum digital convida-nos a criar espaços de silêncio intencionais e sagrados em nossa rotina. Isso pode significar desligar a televisão durante as refeições, silenciar as notificações do smartphone por algumas horas do dia ou da noite, ou dedicar um tempo sem interrupções digitais à leitura espiritual, à oração pessoal, à meditação do Rosário, ou simplesmente à reflexão. Ao fazê-lo, não estamos apenas renunciando a algo, mas abrindo um vazio sagrado que Deus, em Sua infinita bondade, deseja e pode preencher com Sua graça, Sua paz e Sua revelação.
Os frutos deste jejum de ruídos são muitos e de valor inestimável. Em primeiro lugar, ele nos permite uma maior clareza mental e uma capacidade de concentração aprimorada, essenciais não apenas para a oração, mas para todas as nossas atividades. O silêncio nos ajuda a processar pensamentos e emoções de forma mais saudável, a conhecer-nos melhor em profundidade e a reconhecer as áreas de nossa vida que necessitam de conversão e do toque da misericórdia divina.
Além disso, ao reduzirmos as distrações digitais, somos convidados a estar mais presentes para as pessoas ao nosso redor. O olhar fixo no ecrã muitas vezes nos rouba a oportunidade de um verdadeiro encontro com a família, amigos e vizinhos. O silêncio partilhado, ou a conversa desprovida de interrupções tecnológicas, fortalece os laços humanos, promove uma comunicação mais autêntica e cultiva a caridade fraterna, um pilar da vida cristã.
Espiritualmente, o silêncio é a porta privilegiada para a intimidade com Deus. É no "silêncio do coração" que ouvimos o sussurro divino, que sentimos a presença consoladora do Espírito Santo e que nos abrimos à graça transformadora que nos conforma a Cristo. Este é o verdadeiro propósito da Quaresma: uma purificação que nos prepara para celebrar a Ressurreição do Senhor com um coração renovado, purificado e mais próximo d'Ele, capaz de acolher plenamente a alegria pascal.
O Papa Leão XIV, com sua solicitude de Bom Pastor e sua visão de um mundo cada vez mais ruidoso e disperso, convida-nos a uma Quaresma verdadeiramente transformadora. Que seu apelo ao jejum do ruído digital nos inspire a criar espaços de silêncio sagrado em nossas vidas, permitindo que a voz de Deus ressoe em nossos corações, nos console, nos oriente e nos guie para uma vida mais plena em Cristo, repletos de esperança e caridade.

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