Santa Sé Denuncia Barriga de Aluguel como ‘Nova Forma de Colonialismo’

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29/jan/2026

O Arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário para as Relações com os Estados e Organizações Internacionais da Santa Sé, proferiu uma forte condenação à prática da barriga de aluguel, classificando-a como uma “nova forma de colonialismo”. Em sua análise, o prelado aponta que essa prática prioriza os interesses dos adultos em detrimento dos direitos fundamentais das crianças, transformando-as em meros objetos de transação comercial.

A contundente declaração foi feita durante um evento de alto nível sediado pela Embaixada da Itália junto à Santa Sé, realizado no prestigiado Palácio Borromeu, em Roma. O encontro, intitulado “Uma Frente Comum pela Dignidade Humana: Prevenindo a Comercialização de Mulheres e Crianças na Barriga de Aluguel”, teve como principal objetivo fomentar um debate internacional aprofundado sobre o tema, levantando questões éticas, legais e sociais complexas associadas à prática. A iniciativa é parte de uma campanha de conscientização mais ampla, promovida em parceria pelo Ministério italiano da Família, Taxa de Natalidade e Igualdade de Oportunidades e a Santa Sé, buscando influenciar as discussões nas Nações Unidas.

Um Apelo Contra a Comercialização da Vida

Em seu pronunciamento, o Arcebispo Gallagher enfatizou que a barriga de aluguel transcende barreiras geográficas e culturais, configurando-se como uma questão que afeta a humanidade em sua totalidade. Ele fez um apelo urgente por uma frente unida para deter o que descreveu como a “comercialização de mulheres e crianças”. O alto funcionário vaticano alertou que esta prática “explora corpos e esvazia o sentido das relações humanas”, rebaixando a pessoa a uma mera condição de produto a ser manufaturado e negociado.

A postura da Santa Sé reflete as reiteradas condenações do Papa Francisco. O Sumo Pontífice, em diversas ocasiões, incluindo um discurso recente ao corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé, criticou veementemente a barriga de aluguel. Ele ressaltou que, ao transformar a gestação em um “serviço negociável”, a dignidade tanto da criança quanto da mãe é violada. O Papa Francisco descreveu a criança como sendo reduzida a um “produto” e a mãe como tendo seu corpo e o processo generativo explorados, o que, em sua visão, distorce a “vocação relacional original da família”.

Barriga de Aluguel: Objeto de Transação, Não Ato de Generosidade

O Arcebispo Gallagher aprofundou sua crítica, explicando que, embora a barriga de aluguel seja frequentemente apresentada como um “ato de generosidade”, na realidade, ela reduz o ser humano a um “objeto de transação”. Ele foi enfático: “É a venda de uma criança, entregue aos compradores em virtude de um contrato que coloca os interesses dos adultos no centro, e não os dos filhos”. Ele também salientou que a prática rebaixa o corpo feminino a um “mero instrumento reprodutivo”, impactando negativamente a concepção social da maternidade e a dignidade humana.

Recordando que até mesmo grupos feministas, históricos defensores da dignidade da mulher, igualmente rejeitam a barriga de aluguel, o arcebispo reiterou a caracterização de “nova forma de colonialismo”. Ele argumentou que a prática explora as pessoas mais vulneráveis, pois, muitas vezes, o consentimento da mulher é resultado de “pressões financeiras” e não de uma escolha plenamente livre e autônoma, configurando uma exploração sistêmica.

Em uma conclusão contundente, o representante do Vaticano defendeu a “abolição total” da barriga de aluguel. Ele manifestou a oposição da Santa Sé à criação de qualquer tipo de marco regulatório internacional para a prática, pois, em sua visão, isso apenas levaria a “mais crianças destinadas a serem vendidas”, institucionalizando uma forma de comércio humano. O evento contou ainda com a participação do embaixador italiano junto à Santa Sé, Francesco Di Nitto; do decano do corpo diplomático junto à Santa Sé e embaixador do Chipre, George Poulides; e da ministra italiana da Família, Natalidade e Igualdade de Oportunidades, Eugenia Roccella, reforçando o caráter multilateral do debate sobre essa complexa questão ética e social.

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