A inevitável Ecologia Integral em tempo de Ano Jubilar



A vida no planeta sofre violência. O termo “ecologia integral”, introduzido pelo Papa Francisco na encíclica ‘Laudato Si’, destaca a interconexão entre os sistemas sociais e naturais, enfatizando que a humanidade é uma parte integrante de um ecossistema mais amplo e que todas as suas ações afetam o ambiente. A ecologia integral nos ensina que tudo está interligado em nosso planeta.

Diácono Adelino Barcellos Filho – Diocese de Campos/RJ

No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lança a  Campanha da Fraternidade 2025, com o tema “Fraternidade e Ecologia Integral” e o lema “Deus viu que tudo era muito bom”, convida a sociedade a refletir sobre o cuidado com o ambiente e a crise socioambiental, sob a luz do conceito de Ecologia Integral defendido pelo Papa Francisco. É essencial superar a “cultura da indiferença e da desatenção” e reconhecer que a solução para os desafios atuais não reside apenas na tecnologia ou no intelecto. A verdadeira mudança está na transformação da mentalidade, compreender como todos os elementos estão interligados, é essencial para lidar com essa tarefa árdua.

A Igreja Católica iniciou sua reflexão sobre as questões socioambientais nos documentos do Concílio Vaticano II; contudo, a Gaudium et Spes (Alegria e Esperança) não abordou a ecologia de forma direta, pois o tema ainda não constituía uma preocupação social. Não obstante, o documento alertou para as rápidas mudanças ocasionadas pela atividade humana e o domínio do homem sobre a criação, lembrando que o homem, redimido por Cristo, deve Amar e Respeitar a criação de Deus. Essa preocupação intensificou-se durante os pontificados dos Papas Paulo VI e João Paulo II.

Em 1971, o Papa Paulo VI denunciou a crise ecológica como resultado da atividade descontrolada do ser humano sobre a natureza, alertando que o homem, ao destruir a natureza, destroi a si mesmo (Octogesima Adveniens, n. 21). Posteriormente, João Paulo II advertiu sobre o perigo de uma mentalidade consumista, que vê a natureza como mero objeto de consumo (Redemptor hominis, n. 15), sem consciência do dano causado ao mundo e à humanidade. O Santo Padre chegou a afirmar, em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz que, “a paz com Deus requer paz com a criação” (1990).

Assim como a corrupção inicia com um “furador(a) de fila”; a destruição do ser humano,  do ambiente, do planeta, inicia com “descarte inconsequente dos desvalidos da sorte (pobres, na linha da miséria, sem voz nem vez, sem identidade), do lixo, do entulho”. Portanto, é urgente uma mudança de mentalidade, que leve a uma conversão ecológica, ao cuidado com a Vida e a Criação, ao diálogo e à consciência da conexão entre os problemas do mundo.  Deve-se valorizar iniciativas como o “Tempo da Criação” e tradições monásticas que ensinam a contemplação, a oração, o trabalho e o serviço, com o objetivo de educar para a ligação entre o equilíbrio pessoal, social e ambiental.

Manter-se no estado de Graça, além de fugir do pecado,  é manter a natureza da Semente do Amor de Deus (Uno e Trino),  na mente, no coração e nos sentidos. É permitir aumentar em si mesmo a Fé de Jesus Cristo, buscando  qual seja a Vontade do Pai.  Ação, Palavra e Oração  (tripé inevitável), na Ação do Espírito Santo. A iniciativa é Deus e é a Força da Sua Palavra, que vai nos transformando no Seu Caminho, na Sua Verdade,  na Sua Vida. Só esta comunhão de Oração, sem fingimento, pode promover,  nossa resposta, nossa mudança de mentalidade e derrotar o nosso orgulho, arrogância, prepotência e egoísmo; e se permitir ser transformado “em Cristo Jesus,  para a Glória de Deus Pai”.

Um termômetro para medir a nossa amizade e intimidade com  Deus, além do conhecimento de si, é se perguntar: “Aconteça o que acontecer me desespero ou me entrego incondicionalmente, na Esperança?  No sofrimento, uno-me à Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo?  O Papa Francisco reafirma que, “não se pode defender a natureza se não se defende todo o ser humano”, sua dignidade do ‘início ao fim’; Ele introduz o conceito inovador de “pecado contra a vida humana”,  que abrange não apenas ações diretas contra indivíduos, contra as pessoas, também a negligência e o desrespeito ao ambiente, que sustenta a vida de todos.

Há um contraste da “cultura do cuidado” com a “cultura do desperdício”. Em oposição à “cultura do desperdício”, que se caracteriza pelo consumismo desenfreado e pela exploração irresponsável dos recursos naturais, o Papa Francisco propõe a “cultura do cuidado”. Essa cultura se baseia no reconhecimento da interdependência entre todos os seres vivos e na responsabilidade compartilhada de proteger a Terra, nossa ‘casa comum’, de maneira inteligente e equilibrada, sem perversidades e sem tendências fúteis. A mudança é promovida pela Ação (individual e coletiva), o anúncio da Palavra e a vida de Oração perseverante (testemunho). “Ninguém converte ninguém”.

É de grande importância missionária às comunidades eclesiais (para toda a Igreja) e a toda e qualquer sociedade do planeta, somos um, todos humanos, desde a fecundação até ao final de nossos dias. Para tanto, faz-se necessária a transformação cultural e ecológica, o Papa Francisco ressalta que, cada pessoa é chamada a reexaminar seus valores e atitudes, adotando um estilo de vida mais sustentável e solidário. Toda a Igreja tem o dever de difundir o Evangelho a todas as comunidades e sociedades, promovendo a justiça social e a ecologia integral, a partir do testemunho de vida salutar individual e em grupo.

O Papa Francisco destaca a responsabilidade humana de cuidar do planeta e uns dos outros, independentemente de raça, religião, nacionalidade ou status socioeconômico, com implicações na saúde, enfatizando o direito ao tratamento, preventivo ou não. Ele relaciona a degradação ambiental (destruição) à deterioração social (destruição), onde os pobres sofrem devido ao egoísmo e cegueira espiritual. No Brasil, o cuidado da ‘Casa Comum’, com o SUS (Sistema Único de Saúde) é um dos melhores do mundo, só precisa ser “melhor administrado” e “menos politiqueiro”.

O texto do Sumo Pontífice (2015) propõe uma investigação sobre os riscos associados à rápida disseminação de epidemias virais e bacterianas, juntamente com a defesa do desenvolvimento de cuidados paliativos. Ele enfatiza a necessidade de políticas sociais que promovam uma cultura de prevenção em saúde, englobando valores e comportamentos voltados para a prevenção de doenças e acidentes. O texto também destaca a importância da transparência e da implementação de novas tecnologias e inovações.

No que diz respeito à saúde, é crucial não apenas promover e incentivar a adoção de hábitos saudáveis e comportamentos preventivos, mas também fornecer recursos e apoio para que os indivíduos busquem atendimento médico quando necessário. Isso inclui facilitar o acesso a cuidados de saúde de qualidade, bem como educar as pessoas sobre a importância de manter um estilo de vida que preserve o bem-estar físico, mental e espiritual. Isso pode incluir programas de bem-estar corporativo, aconselhamento individualizado e acesso a instalações de fitness e atividades recreativas.

No âmbito da saúde ocupacional, a orientação e o incentivo ao Cuidado e à Segurança no Trabalho devem ir além da mera participação no Planejamento Estratégico da Organização e da integração na Formação do Clima Organizacional. É fundamental implementar políticas e procedimentos de segurança rigorosos, fornecer treinamento e equipamentos de proteção individual (EPI) adequados e criar uma cultura de segurança em que os colaboradores ou servidores se sintam à vontade para relatar quaisquer riscos ou preocupações; também é importante promover a saúde mental e o bem-estar deles (hábitos saudáveis e relacionamentos positivos), com programas de gerenciamento de estresse e apoio psicológico.   Deus seja louvado sempre!

“Deus, nosso Pai e Senhor, nós vos louvamos e bendizemos, por Vossa infinita Bondade. Ajudai-nos a ser responsáveis e zelosos pela Casa Comum, nossa Mãe terra”. Cresça, em nosso ser, o desejo e o empenho de cuidar mais e mais da vida das pessoas”. Dai-nos a graça de nos sentirmos intimamente unidos a tudo o que existe”. Despertai nosso louvor e a nossa gratidão por cada ser que criastes”. Ensinai-nos a contemplar-vos na beleza do universo, onde tudo nos fala de Vós”. Assim seja!    São Francisco de Assis, rogai por nós!   Mãe do Perpétuo Socorro, “ó minha Senhora, ó minha Mãe, eu me ofereço todo a vós […]. Amém.”

Vida do autor:  http://lattes.cnpq.br/0897881564299806



Fonte (Vatican News)

Estamos reproduzindo um artigo do site Vatican news.

A opinião do post não é necessariamente a opinião do nosso blog!

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