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Santa Sé na Onu: um novo paradigma para países de renda média

O pronunciamento do observador permanente da Santa Sé junto à Onu, dom Gabriele Caccia, na reunião de alto nível sobre a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. Confiar apenas no PIB significa negligenciar muitas dimensões do progresso humano. O arcebispo ressalta a urgência de indicadores mais abrangentes

Vatican News

Os países de renda média representam “um componente essencial da economia global” e abrigam a maioria da população mundial que vive na pobreza. Foi o que enfatizou o arcebispo Gabriele Caccia, observador permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas, em seu discurso no dia 1º de abril, na reunião de alto nível dedicada precisamente a esses países como parte da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável.

Uma prosperidade aparente

Embora gerem cerca de um terço do produto interno bruto do mundo, esses países, explicou dom Caccia, muitas vezes enfrentam sérios obstáculos estruturais que impedem seu crescimento e prejudicam o bem-estar de suas populações. Sua aparente prosperidade econômica esconde profundas desigualdades e fragilidades, ligadas a fenômenos como conflitos, instabilidade econômica, mudanças climáticas e desastres naturais cada vez mais frequentes e violentos.

O PIB não é suficiente

Um dos principais problemas, apontou o representante vaticano, está no critério pelo qual o desenvolvimento é medido. “Confiar exclusivamente no PIB”, observou ele, “significa negligenciar muitas dimensões fundamentais do progresso humano”. Tal abordagem não apenas fornece uma visão parcial da realidade, mas também limita o acesso de muitos países a financiamentos com condições favoráveis e formas de cooperação internacional, impedindo-os de atender às necessidades reais de desenvolvimento. Portanto, torna-se “urgente”, continuou Caccia, adotar indicadores alternativos e mais abrangentes que reflitam os aspectos econômicos, sociais e ambientais do desenvolvimento. Essa é a única maneira de garantir que a cooperação internacional seja realmente sob medida para os desafios específicos enfrentados pelos países de renda média.

Financiamento para o desenvolvimento

Outro tema central abordado pelo representante da Santa Sé foi o financiamento do desenvolvimento. “O investimento é a chave” para permitir que esses países realizem seu potencial, mas o endividamento crescente corre o risco de prejudicá-los ainda mais. Por esse motivo, disse ele, a Santa Sé pede um aumento nos recursos financeiros acessíveis e livres de dívidas, para que o futuro de populações inteiras não seja comprometido por mecanismos de pagamento insustentáveis. Olhando para o futuro, o arcebispo apontou a Quarta Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento como uma oportunidade estratégica para revisar os critérios de avaliação do desenvolvimento e propor instrumentos de apoio inovadores. É necessário um compromisso compartilhado, concluiu, para “liberar o potencial” dos países de renda média, promovendo um modelo de crescimento que não deixe ninguém para trás e que seja verdadeiramente sustentável para toda a família humana.

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