Igreja aponta Maria como modelo de unidade no Dia Mundial da Paz de 2026

Compartilhe:

05/jan/2026

Neste início de ano, mensagem papal exorta fiéis a se inspirarem na Mãe de Deus para superar polarizações e construir a paz.

Na celebração da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e do 59º Dia Mundial da Paz, neste primeiro de janeiro de 2026, a Igreja Católica convida os fiéis a contemplarem a Virgem Santíssima como um farol de esperança e um caminho concreto para a unidade. Inspirados por uma mensagem do Papa Leão XIV para o novo ano, os católicos são chamados a empreender um verdadeiro “projeto de paz”, buscando no exemplo de Maria a força para sanar as divisões que fragmentam a sociedade contemporânea.

A exortação papal surge como uma resposta direta a um cenário de intensa polarização. As tensões sociais, que se manifestaram em debates acalorados e na erosão do diálogo, deixaram marcas profundas no tecido social, afetando famílias, amizades e comunidades. Diante desta realidade, a figura de Maria é apresentada não apenas como um ícone devocional, mas como a portadora de uma solução teológica e prática para a fragmentação.

Theotókos: o dogma que une o Céu e a Terra

O fundamento da mensagem para 2026 está no coração do mistério celebrado hoje. Ao proclamar a Virgem como Theotókos, termo grego que significa “Mãe de Deus”, o Concílio de Éfeso em 431 defendeu uma verdade essencial sobre Jesus Cristo: a união perfeita de suas naturezas, divina e humana, em uma única Pessoa. Maria, portanto, é o ponto de encontro onde o divino e o humano se reconciliam. Ela se torna, por excelência, o ícone da unidade.

Invocar Maria como Mãe de Deus é, assim, reconhecer que a paz e a unidade não são ideais abstratos, mas uma realidade que se tornou carne e habitou entre nós através do seu “sim”. Ela ensina que a verdadeira paz brota da coragem de acolher Deus em nossa frágil humanidade, permitindo que Ele restaure o que foi quebrado pelo pecado e pelo orgulho.

Um roteiro de paz na vida de Nossa Senhora

A vida de Maria oferece um roteiro prático para quem deseja ser um construtor da paz no dia a dia. Seus gestos, muitas vezes silenciosos, são lições de como curar e unir. Na Anunciação, seu “faça-se” (Lc 1,38) representa a humildade radical que se contrapõe ao egoísmo, raiz de toda divisão. A paz começa quando se renuncia ao próprio projeto para abraçar um desígnio maior.

Nas Bodas de Caná, sua atenção às necessidades do próximo revela um coração que se antecipa para servir e restaurar a harmonia, sem buscar protagonismo. Aos pés da Cruz, sua presença fiel no momento de maior dor e dispersão une os discípulos e forma o núcleo da Igreja nascente. Maria demonstra que a paz exige perseverança e a coragem de permanecer ao lado dos que sofrem.

O apelo para 2026 é um convite à conversão e à ação. Inspirados por ela, os fiéis são chamados a retomar a escuta atenta, meditando os acontecimentos no coração, em vez de reagir com agressividade. A oração do Santo Terço é recomendada como uma poderosa ferramenta para pedir à Rainha da Paz que desarme os corações. Por fim, a prática das obras de misericórdia é o antídoto mais eficaz contra a indiferença, reconstruindo as pontes que o egoísmo destrói. Que o olhar materno de Maria inspire um ano de verdadeiro diálogo e reconciliação.

Artigos Recentes

Rolar para cima